Qualifica DF amplia vagas e forma 2 mil no DF

Programa de qualificação profissional do GDF ultrapassa 66,2 mil certificados desde 2022, mira as áreas com maior demanda no mercado e já prepara nova etapa com mais de 14 mil inscritos


Qualifica DF amplia vagas e forma 2 mil no DF Programa Qualifica DF chega a cerca de 2 mil novos formados e ultrapassa 66,2 mil certificados entregues desde 2022 no Distrito Federal.

O Qualifica DF voltou a expor um dado que pesa no debate sobre emprego, renda e inclusão no Distrito Federal: a dificuldade de entrar no mercado formal ainda é grande, mas a qualificação profissional segue sendo uma das poucas portas concretas para mudar esse cenário. Nesta segunda-feira, 16 de março, cerca de 2 mil alunos receberam certificados do programa em cerimônia no Ginásio do Cruzeiro. Com isso, a iniciativa do Governo do Distrito Federal superou a marca de 66,2 mil certificados entregues desde 2022.

Coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda do Distrito Federal, o programa oferece cursos gratuitos em diversas áreas e tenta atacar um problema antigo: a distância entre o perfil de quem procura emprego e as vagas que realmente existem. Segundo o governo, a seleção dos cursos foi feita com base nas 70 profissões que mais contratam no DF, a partir de levantamento de demanda do mercado local.

Durante a solenidade, a vice-governadora Celina Leão afirmou que o Qualifica DF tem impacto direto na geração de oportunidades e no estímulo ao empreendedorismo. A fala reforça o discurso oficial de que a política pública não se limita à entrega de certificados, mas tenta criar uma ponte entre capacitação e inserção produtiva. O ponto central, porém, não está no discurso: está na capacidade de transformar formação em emprego real.

Esse é justamente o teste mais importante para qualquer programa desse tipo. O secretário Thales Mendes disse que, após a certificação, os alunos serão direcionados a processos seletivos de empresas parceiras. Também afirmou que a próxima etapa já começa com mais de 14 mil inscritos e que a expectativa do governo é alcançar cerca de 25 mil pessoas atendidas até o fim de 2026, em cursos presenciais com duração aproximada de três meses.

Na prática, o programa tenta responder a uma demanda que vai além da formação básica. Há procura por cursos que ofereçam possibilidade rápida de entrada no mercado, especialmente entre pessoas que precisam de renda imediata ou querem melhorar a posição profissional. Foi o caso de Luciano dos Santos, de 50 anos, formado em eletricista predial. Segundo ele, já atuava na área de manutenção, mas não conseguia avançar salarialmente por falta de certificação e bagagem técnica.

Outra história relatada na cerimônia foi a de Sandra Costa, de 26 anos, que chegou ao Distrito Federal há oito meses e concluiu o curso de atendente de farmácia. O depoimento dela chama atenção por outro motivo: a confiança. Em meio a tantas promessas falsas de cursos “gratuitos”, ela disse que encontrou no Qualifica DF uma estrutura real, com apoio para permanência nos estudos.

Esse detalhe não é menor. O programa oferece vale-transporte, seguro contra acidentes pessoais, lanche diário, uniforme e material didático por meio do chamado Kit Educando, com apostila, caderno, caneta, lápis, borracha e pasta. Para uma parte significativa do público, esse suporte faz diferença entre conseguir estudar e abandonar a formação no meio do caminho.

Outro ponto relevante é o recorte de inclusão. O Qualifica DF reserva vagas para pessoas com deficiência. Um dos formandos, Lucas Fernando Souza, de 32 anos, que possui deficiência física, concluiu o curso de recursos humanos e relatou que buscava se qualificar em uma área com a qual se identifica. O dado mostra que o programa tenta ampliar acesso, embora o desafio continue sendo transformar inclusão em contratação efetiva.

Os cursos têm carga horária de 240 horas e abrangem áreas estratégicas como administração, comércio, serviços, saúde, indústria, tecnologia da inovação, agricultura e meio ambiente. Entre as formações ofertadas estão auxiliar de cozinha, auxiliar de recursos humanos, auxiliar de secretariado, cabeleireiro, cuidador de idosos, desenvolvedor de aplicativos para Android, designer gráfico básico, garçom e barista, jardinagem e paisagismo, manicure e pedicure, além de manutenção de equipamentos de informática.

A exigência para participar inclui ter mais de 16 anos, morar no Distrito Federal, estar em situação regular no país e possuir escolaridade compatível com o curso escolhido. Para receber o certificado, o aluno precisa alcançar aproveitamento mínimo de 75% do conteúdo e frequência mínima de 80% da carga horária.

O avanço numérico do programa é relevante, mas a discussão mais séria precisa ir além da cerimônia de formatura. Certificado, por si só, não resolve desemprego. Resolve quando encontra vaga, política pública bem articulada e conexão verdadeira com o setor produtivo. O Qualifica DF mostra escala, estrutura e demanda social evidente. Agora, o passo que mais interessa ao trabalhador é outro: quantos desses milhares de certificados vão de fato se converter em carteira assinada, renda estável ou negócio próprio sustentável.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.