DF acelera entrega de cadeiras a pacientes
Mais de 3,8 mil equipamentos devem ser distribuídos no semestre, enquanto pacientes ainda enfrentam fila por autonomia básica na rede pública
Pacientes da rede pública do DF recebem cadeiras de rodas e de banho, mas demanda ainda expõe fila por equipamentos essenciais. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal iniciou uma nova rodada de entregas de cadeiras de rodas e de banho para pacientes da rede pública, reforçando uma política essencial que, embora necessária, ainda revela um problema estrutural: a dependência de milhares de pessoas por equipamentos básicos para viver com dignidade.
Nesta nova etapa, 179 cadeiras foram entregues a pacientes previamente cadastrados. O número pode parecer positivo à primeira vista, mas ganha outra dimensão quando comparado à demanda total. A própria pasta projeta a distribuição de 3.834 dispositivos até o fim do primeiro semestre, sendo 1.582 cadeiras de rodas e 2.252 cadeiras de banho. Ou seja, a fila existe, e não é pequena.
A logística de entrega é coordenada por dois núcleos especializados: o Nupop (Núcleo de Produção de Órteses e Próteses) e o Naopme (Núcleo de Atendimento Ambulatorial de Órteses, Próteses e Materiais Especiais). Além das cadeiras, os serviços também disponibilizam itens como palmilhas ortopédicas, andadores, bengalas, cadeiras motorizadas e até aparelhos respiratórios. Na prática, trata-se de uma engrenagem fundamental para a reabilitação e sobrevivência de pacientes com limitações físicas.
Mas há um ponto que precisa ser dito com clareza: a entrega desses equipamentos não deveria ser tratada como avanço, e sim como obrigação básica do sistema público de saúde. Quando um paciente depende de uma cadeira para se locomover, trabalhar ou até realizar tarefas simples dentro de casa, o atraso na entrega não é burocracia, é perda de qualidade de vida.
A própria Secretaria reconhece o impacto direto desses equipamentos. A chefe do Nupop, Aloma Mendes, afirma que a cadeira de rodas representa autonomia, inclusão e qualidade de vida. E não há exagero nisso. Para muitos pacientes, o equipamento marca a diferença entre isolamento e participação social.
O relato do aposentado Cícero Gorgônia ilustra bem esse cenário. Após receber a cadeira, ele destacou que agora poderá ajudar mais em casa e apoiar a esposa. Um gesto simples, mas que expõe um aspecto pouco debatido: a dependência física também afeta toda a estrutura familiar.
Para ter acesso aos equipamentos, o paciente precisa procurar o Naopme, na Estação 114 Sul do metrô, com documentos básicos e laudo médico. O processo é gratuito, mas exige cadastro e espera, um ponto que ainda desafia a eficiência do sistema.
No fundo, a ação do GDF cumpre um papel importante, mas também escancara uma realidade: a demanda por reabilitação cresce mais rápido do que a capacidade de resposta do Estado. E, enquanto isso, milhares de pessoas seguem aguardando algo que deveria ser imediato, o direito de se mover.




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