Márcio Corrêa parte para o ataque e expõe passado político de Wilder Morais

Prefeito de Anápolis resgata episódios envolvendo Carlinhos Cachoeira, Alexandre de Moraes e a ausência do senador na votação de Jorge Messias ao STF, ampliando o racha dentro do PL em Goiás.


Márcio Corrêa parte para o ataque e expõe passado político de Wilder Morais

A disputa interna do PL em Goiás ganhou um novo e explosivo capítulo. O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, respondeu diretamente ao senador e candidato ao governo Wilder Morais depois de ser chamado pelo correligionário de político “sabor direita”. Na reação, publicada nas redes sociais, Márcio elevou o tom, devolveu a provocação e trouxe para o centro do debate episódios antigos e recentes da trajetória política do senador.

“Podia ter citado aí sabor Cachoeira, sabor Morais, sabor Messias, sabor rabo preso, sabor preguiça”, afirmou o prefeito, antes de dizer que o verdadeiro gosto deixado pela atuação de Wilder seria o “sabor amargo da derrota”. Mais do que uma troca de ataques pessoais, a declaração evidencia o tamanho da fratura existente hoje dentro do PL goiano, justamente quando Wilder tenta consolidar sua candidatura ao Palácio das Esmeraldas.

Uma das referências mais pesadas feitas por Márcio remete a Carlinhos Cachoeira. Em 2012, conversas interceptadas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa mostraram Cachoeira afirmando a Wilder que teria participado de sua chegada à suplência de Demóstenes Torres e também de sua entrada no governo de Goiás. Na época, Wilder contestou a interpretação dada aos áudios e afirmou que os trechos divulgados não retratavam integralmente o contexto da conversa. Após a cassação de Demóstenes, Wilder assumiu a cadeira no Senado.

Márcio também recuperou um episódio que hoje ganha peso especial dentro do eleitorado conservador. Em fevereiro de 2017, quando Alexandre de Moraes havia sido indicado pelo então presidente Michel Temer para o Supremo Tribunal Federal, Wilder promoveu um jantar em sua embarcação no Lago Paranoá com Moraes e outros senadores. O encontro acabou se transformando em uma espécie de sabatina informal antes da análise oficial da indicação pelo Senado. A reunião foi registrada por diferentes veículos à época e confirmada posteriormente no próprio Senado.

O episódio voltou a adquirir relevância política anos depois porque Alexandre de Moraes se tornou uma das figuras mais criticadas pelo bolsonarismo. Isso, porém, não autoriza afirmar que Wilder tenha sido responsável pela indicação ou pela aprovação do ministro. O fato documentalmente comprovado é que o senador sediou o encontro no qual Moraes conversou com parlamentares antes da sabatina e buscou apresentar suas posições.

Outro ponto levantado por Márcio envolve Jorge Messias, indicado por Luiz Inácio Lula da Silva ao STF. Na votação de 29 de abril de 2026, Wilder Morais não compareceu ao plenário. O registro oficial do Senado confirma sua ausência. Messias terminou rejeitado por 42 votos contrários e 34 favoráveis e precisava de pelo menos 41 votos “sim” para ser aprovado. Portanto, embora a ausência de um senador do PL tenha provocado questionamentos políticos, ela não mudou o requisito constitucional nem foi decisiva para o resultado final.

No vídeo desta sexta-feira, Márcio também procurou deslocar a discussão para a capacidade de governo de Wilder. O prefeito cobrou propostas concretas, contato com a população e criticou o que considera uma campanha baseada em ataques pessoais. Em outro momento, classificou a candidatura do senador como um “projeto falido” e afirmou que o grupo estaria perdendo aliados durante a campanha.

A escalada das críticas ocorre poucas semanas depois de Márcio Corrêa declarar apoio à reeleição do governador Daniel Vilela, do MDB. A decisão colocou o prefeito em rota de colisão com a direção do próprio PL, que tem Wilder como candidato ao governo. A Executiva estadual recebeu uma representação ético-disciplinar contra Márcio e encaminhou o processo ao Conselho de Ética da legenda, sem julgamento de mérito até aquele momento.

Politicamente, o episódio revela um problema que vai além da relação entre dois correligionários. Wilder entra na fase decisiva das eleições de 2026 tendo de enfrentar não apenas seus adversários externos, mas também questionamentos vindos de dentro do próprio partido. E quando o principal prefeito do PL em Goiás passa a resgatar publicamente episódios envolvendo Cachoeira, Alexandre de Moraes e uma ausência em votação de indicado de Lula, a crise deixa de ser apenas partidária e passa a interferir diretamente na narrativa de direita que o senador tenta apresentar ao eleitorado goiano.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.