PSD escolhe Celina, mas Arruda rompe com decisão do próprio partido na reta final no DF
Fora da disputa após decisão do TSE, ex-governador afirma que não seguirá apoio definido pela direção do PSD-DF; Paulo Octávio confirmou adesão institucional à candidatura de Celina Leão
PSD-DF decide apoiar Celina Leão, mas José Roberto Arruda anuncia que não acompanhará a orientação da direção partidária. Ex-governador permanece na legenda, enquanto a Executiva regional se aproxima da governadora na última semana antes das urn A reorganização política provocada pela saída de José Roberto Arruda da disputa pelo Governo do Distrito Federal abriu uma divisão explícita dentro do PSD. Horas depois de a direção regional da legenda confirmar apoio à reeleição de Celina Leão, Arruda anunciou que não acompanhará a decisão do próprio partido.
Em pronunciamento divulgado neste domingo (27), o ex-governador afirmou que Celina e o candidato a vice, Gustavo Rocha, não terão seu voto nem seu apoio. Ao mesmo tempo, disse respeitar integrantes do PSD que optarem por seguir a orientação definida pela direção regional.
A manifestação acontece depois de Paulo Octávio, presidente do PSD no Distrito Federal, confirmar que a Executiva decidiu caminhar com Celina nesta reta final. O anúncio formal da adesão está previsto para esta segunda-feira (28).
O contraste político é evidente. Enquanto Arruda mantém oposição à atual governadora, a direção partidária escolheu outro caminho depois de perder sua candidatura ao Palácio do Buriti. O PSD precisou reorganizar sua posição após o Tribunal Superior Eleitoral negar o registro de Arruda por causa de sua situação de inelegibilidade.
A aproximação entre Celina e o PSD avançou rapidamente. A governadora confirmou que havia procurado Paulo Octávio para conversar sobre uma possível aliança e, neste domingo, o dirigente informou que a Executiva considerou o apoio à atual governadora o melhor caminho para a legenda.
Arruda utilizou o pronunciamento para fazer críticas à administração do Distrito Federal em áreas como saúde, educação, transporte e BRB. Também apresentou acusações envolvendo doações e relações políticas. As declarações representam a posição do ex-governador. Nas fontes consultadas para esta reportagem, não foi localizada manifestação de Celina ou de Gustavo Rocha respondendo especificamente às acusações feitas no vídeo desta noite.
O ponto político concreto, entretanto, permanece: Arruda já não é o candidato do PSD ao governo, e a direção regional não acompanhou sua posição de oposição a Celina.
A legenda optou por dar liberdade aos seus integrantes. Isso significa que Arruda e candidatos proporcionais do PSD poderão escolher individualmente quem apoiar, apesar da posição institucional favorável à governadora.
A divisão interna já produziu outros movimentos. O vice-presidente regional da legenda, Lucas Kantoyanis, anunciou apoio a Paula Belmonte. Arruda, por sua vez, deixou claro apenas quem não apoiará, sem anunciar, até o momento desta publicação, qual candidatura receberá seu voto para o Governo do Distrito Federal.
Para Celina, a divergência de Arruda não altera o fato de que a direção do PSD decidiu integrar seu campo político. A adesão partidária ocorre justamente quando a governadora amplia alianças depois da mudança provocada pela decisão do TSE.
O movimento ganha ainda mais peso porque o PSD estava, até poucos dias atrás, estruturado em torno de uma candidatura própria. Com Arruda fora da disputa, a legenda poderia permanecer neutra, apoiar outro concorrente ou aderir à governadora. A Executiva escolheu a terceira alternativa.
A decisão também ocorre no mesmo domingo em que a pesquisa Igape/Record apresentou Celina com 43,9% das intenções de voto em uma simulação após a retirada técnica dos votos atribuídos a Arruda. Quando considerados somente os votos válidos no cenário sem o ex-governador, Celina aparece com 56,1%, contra 22,1% de Leandro Grass.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre 22 e 26 de setembro, possui margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número DF-00171/2026. Como todo levantamento eleitoral, representa uma fotografia do período pesquisado e não uma antecipação do resultado das urnas.
É justamente nesse ambiente que a decisão do PSD ganha dimensão estratégica. A última semana de campanha começa com Celina tentando consolidar apoios de grupos que ficaram politicamente disponíveis depois da saída de Arruda.
A reação do ex-governador demonstra que essa transferência política não será automática. Uma coisa é a posição institucional do partido; outra é o comportamento dos antigos eleitores de Arruda, que poderão migrar para diferentes candidatos, permanecer indecisos ou optar por votos brancos e nulos.
Ainda assim, a fotografia política deste domingo deixa uma situação incomum: Arruda permanece no PSD, mas está em lado diferente daquele escolhido pela direção de seu próprio partido para a principal disputa eleitoral do Distrito Federal.
Para Celina, a equação é inversa. A governadora começa a semana decisiva agregando à sua campanha justamente uma estrutura partidária que, até poucos dias atrás, estava no campo adversário




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