Apoio de Kiko Caputo fortalece Celina Leão na disputa pelo Governo do DF
Ex-candidato do Novo escolhe a governadora no segundo turno, rejeita retorno do PT e afirma que continuará cobrando melhorias na gestão pública
Kiko Caputo anuncia apoio a Celina Leão no segundo turno e promete manter independência para fiscalizar a gestão. A campanha de Celina Leão (PP) ganhou um novo apoio político para o segundo turno das eleições no Distrito Federal. Kiko Caputo, candidato do Novo no primeiro turno, anunciou nesta quarta-feira (7) que votará pela reeleição da governadora na disputa contra Leandro Grass (PT).
O posicionamento foi divulgado em um vídeo gravado ao lado de Celina. Caputo explicou que a decisão está relacionada à proximidade ideológica entre os dois grupos e à oposição ao projeto representado pelo Partido dos Trabalhadores.
Para o advogado, apoiar Celina tornou-se uma decisão necessária diante das duas opções apresentadas ao eleitorado. Ao mesmo tempo, ele deixou claro que a aliança eleitoral não representa concordância automática com todas as decisões da atual gestão.
Caputo afirmou que pretende continuar fazendo críticas, fiscalizando o governo e cobrando soluções para os problemas enfrentados pela população do Distrito Federal.
Apoio sem “cheque em branco”
A declaração de Caputo apresenta um modelo de apoio com independência. O ex-candidato não abandonou as críticas feitas durante a campanha nem afirmou que passará a integrar incondicionalmente a base política da governadora.
Essa posição pode aproximar de Celina uma parcela do eleitorado que deseja impedir a vitória do PT, mas que ainda mantém ressalvas sobre o atual governo.
Durante o encontro, Caputo afirmou que torce para que a administração da governadora consiga solucionar os problemas da população.
“A gente torce e ora muito para que o governo da senhora dê certo e resolva os problemas da população”, declarou. www.metropoles.com
O recado também cria uma responsabilidade para Celina. Para consolidar essa aproximação, a governadora precisará demonstrar abertura às propostas do Novo e apresentar compromissos concretos relacionados à eficiência administrativa, ao equilíbrio fiscal e à melhoria dos serviços públicos.
Mais de 72 mil eleitores
Kiko Caputo recebeu 72.148 votos no primeiro turno, alcançando 4,36% dos votos válidos. O resultado colocou o candidato do Novo na quarta posição da disputa pelo Palácio do Buriti.
O apoio não significa que todos esses votos serão automaticamente destinados a Celina. O eleitor não pertence ao candidato e pode tomar uma decisão diferente no segundo turno.
Politicamente, entretanto, a adesão oferece à governadora uma oportunidade de dialogar diretamente com mais de 72 mil pessoas que escolheram uma candidatura de direita, mas não votaram na atual chefe do Executivo local.
Caputo também pode participar de atos, debates e conteúdos de campanha destinados a esse público, reforçando a apresentação de Celina como a opção mais próxima das pautas conservadoras e liberais.
Celina ficou a 168 votos da vitória
Celina Leão encerrou o primeiro turno com 825.530 votos, correspondentes a 49,93% dos válidos. A governadora ficou a apenas 168 votos da maioria absoluta necessária para garantir a reeleição sem uma nova votação.
Leandro Grass chegou ao segundo turno com 569.930 votos e 34,47%. A diferença entre os dois candidatos foi superior a 255 mil votos. www1.folha.uol.com.br
Apesar da vantagem, a campanha de Celina tenta evitar qualquer sensação de eleição definida. A própria governadora reconheceu que o ambiente de vitória antecipada pode ter contribuído para a ausência de apoiadores no primeiro turno.
O Distrito Federal registrou abstenção de 18,99%, com mais de 426 mil eleitores sem comparecer às urnas. A mobilização desse grupo será decisiva no segundo turno.
Disputa pelos votos da direita
Após a apuração, Celina anunciou que procuraria candidatos derrotados pertencentes ao mesmo campo político. Entre os nomes citados estavam Kiko Caputo e Paula Belmonte (PSDB), que ficou na terceira posição com 140.765 votos.
Somados, Paula e Caputo receberam 212.913 votos. Esse contingente tornou-se um dos principais alvos das campanhas de Celina e Grass. www.metropoles.com
Leandro Grass chegou a anunciar que procuraria Caputo para conversar sobre um possível apoio. O candidato petista declarou que tentaria unir diferentes grupos em torno dos problemas de Brasília.
A resposta de Caputo, porém, demonstrou que a identidade ideológica pesou mais na decisão. O ex-candidato optou por apoiar Celina e declarou que pretende evitar a volta do PT ao Governo do Distrito Federal.
O que Caputo pode levar ao programa de Celina
O apoio abre espaço para a incorporação de propostas defendidas pelo Novo durante o primeiro turno. Entre os temas que podem ser debatidos estão:
- Maior controle das despesas públicas;
- Transparência nos contratos governamentais;
- Avaliação de resultados dos órgãos públicos;
- Redução de desperdícios;
- Desburocratização para empresas e empreendedores;
- Melhoria da qualidade dos serviços de saúde e educação;
- Responsabilidade na administração das empresas públicas.
A aliança terá maior relevância se ultrapassar o discurso eleitoral e resultar em metas que possam ser cobradas após a eleição.
Celina também precisará enfrentar questionamentos sobre a saúde pública, a mobilidade, a situação do BRB e a capacidade financeira do Distrito Federal. O apoio de Caputo não elimina essas cobranças. Pelo contrário, o próprio ex-candidato afirmou que permanecerá atento à condução do governo.
Segundo turno será em 25 de outubro
A nova votação para o Governo do Distrito Federal está marcada para 25 de outubro. Celina chega à etapa decisiva com ampla vantagem numérica, enquanto Grass busca reunir os eleitores que desejam mudança na administração local.
A adesão de Caputo ajuda Celina a organizar o campo da direita e reduz as possibilidades de Grass conquistar apoio entre eleitores do Novo.
O desafio da governadora agora será demonstrar que a aproximação não representa apenas uma fotografia eleitoral, mas a disposição de incorporar propostas, corrigir falhas e ampliar a eficiência da gestão pública.




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